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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Dela.

    Desceu o morro aos atropelados, o coração batendo forte, desceu correndo a ladeira, pulando alto os obstáculos. Passou por gentes despingolado, precipitado, sem gravidade, sem dar a seta, sem ter cuidado. Já não cabia naquela roupa, naquele corpo, naquele bairro. Suava frio, fugiu de si, entrou num beco, sentou no chão, escondeu o rosto dentro da camisa, pôs as mãos no coração - pra ter certeza de que ele ainda estava ali. Respirou fundo, fechou os olhos, abriu um sorriso, reclinou a cabeça, abriu os olhos e viu o céu, e constatou que era verdade: estava vivo, não era sonho, tinha beijado o rosto dela.